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VILA DO SOSSEGO

VILA DO SOSSEGO

Zé Ramalho recorda o primeiro show no Teatro Santa Roza, intitulado “Atlântida”, o primeiro show de rock da Paraíba “Zé Ramalho e os Filhos de Jacó”, que teve produção de Eduardo Stuckert e Onaldo Mendes, com cartaz de Raul Córdula,e “Os 3 Aboios Diferentes”, com Zé Ramalho, Jarbas Mariz e Hugo Leão. Relembra ainda a “Vila do Sossego”, uma casa que realmente existiu em João Pessoa, onde o cantor morou e reunia cantores, atores e outros artistas numa verdadeira meca da produção cultural paraibana. No show de despedida, “Um Dia Antes da Vida”, Zé cravou um facão na viola e no palco, partindo em seguida para o Rio de Janeiro.

  • DÉCADAS

    26/03/2016 - 10:14

    Arquivo

    Encontro de Zé Ramalho com Jarbas Mariz, Eduardo Stuckert e Hugo Leão na famosa Vila do Sossego, em João Pessoa, onde aconteciam as reuniões para a produção de shows do cantor

    Reginaldo Marinho

    Reginaldo Marinho

    Momentos do show “Os 3 Aboios Diferentes”, que reuniu Zé Ramalho, Jarbas Mariz e Hugo Leão no palco do Teatro Santa Roza em 1975

    Arquivo

    Jarbas Mariz, Zé Ramalho e Eduardo Stuckert comemorando o sucesso de Zé no início da década de 80

    Gustavo Moura

    Eduardo Stuckert, Zé Ramalho e Onaldo Mendes no Teatro Santa Roza durante gravação de documentário sobre Zé Ramalho, “O Herdeiro de Avohai”, de Elinaldo Rodrigues
  • RÉQUIEM PARA O CIRCO

    26/03/2016 - 10:01

     

    A memorável história de um circo

     
    Augusto Magalhães
     
    O movimento cultural da Paraíba sempre sofreu com a falta de compromisso, seja de quem estava sentado nas poltronas do Poder; seja de quem estava à frente das empresas. Essa tradição nada agradável também serviu, no entanto, para dar mais ânimo e resistência àqueles que tinha a vontade de ver o circo subir a lona e o espetáculo continuar iluminando o picadeiro.
    Uma história memorável da resistência de artistas e produtores culturais paraibanos pode ser contada a partir da chegada de uma multinacional da indústria automobilística à Capital do Estado, João Pessoa. Final da década de 70 e início dos anos 80. O tempo era de desenvolvimento econômico e a novidade quase veio dá na praia, no final da avenida Rui Carneiro, chegando à orla da praia de Tambaú. 
    Um grande terreno preparado para abrigar a estrutura de “O Circo” – Casa de Espetáculos com serviços de restaurante, bar e boate, projeto do empresário e proprietário Adalberto Barreto e do maestro Pedro Santos – agora teria que ceder lugar à instalação de uma revendedora de automóveis e a Paraíba ostentava o orgulho de possuir uma casa de diversão única no gênero em plena Avenida Ruy Carneiro. Ah! Como isso mexeu com um homem que fazia das tripas coração para ver o espetáculo acontecer: o produtor cultural paraibano Eduardo Stuckert.
    Sua construção em alvenaria com camarotes formando um círculo acompanhando o formato do picadeiro e em vários planos. Sua cobertura, uma lona com faixas coloridas armada em dois mastros: eis o circo.
    Depois de bradar aos quatro cantos sobre o absurdo de ter o espetáculo interrompido. Depois de pensar em todas as crianças que não teriam mais como dar gargalhadas com o palhaço. Depois de implorar para o que o espetáculo continuasse...ele recebeu a mesma resposta de sempre: NÃO!
    Foi a partir de várias vezes NÃO que Stuckert conseguiu pelo menos uma façanha: fazer o Réquiem para o Circo. Esta seria uma forma de gritar para a sociedade o que estava acontecendo. Por que estavam querendo acabar com aquele espaço tão precioso, mágico e democrático? Para instalar uma empresa? A queda diante do poder econômico acabou garantindo ao guerreiro de uma luta desigual pelo menos uma coisa: o circo ganharia um novo espaço e seria montado com arquibancada, picadeiro e lona (tecido leve, colorido, simbolizando a lona) no palco do centenário Teatro Santa Roza, no centro histórico da Capital.
    Era uma forma de fechar um ciclo, afinal de contas durante dois anos o circo antes armado na Av. Rui Carneiro conseguiu trazer para João Pessoa atrações diferentes a cada fim de semana. Foram shows de cantores famosos e iniciantes na carreira, foram números de mágicos que encantavam a plateia, foram palhaços desengonçados que faziam brilhar os olhos de crianças e adultos.
    O circo estava cedendo lugar aos carros e o fim de tudo seria apenas um espetáculo ao no Teatro Santa Roza? Qual nada! A lona e a arte levados para o Centro Histórico de João Pessoa acabaram por dar início a uma nova e longa jornada: a criação do Circo Piollin pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos, que na época participou do Trailler do “GranFinale” do espetáculo Réquiem para o Circo, interpretando o papel do palhaço, em evento promovido por Rocca Modas no Esporte Clube Cabo Branco. 
    O convite para seu último espetáculo ficou registrado através da Revista Made in PB, com projeto artístico e gráfico do artista plástico Sandoval Fagundos, e um compacto simples com texto de W. Solha e a narração de Zé Ramalho da Paraíba no Lado 1. No Lado 2, a música Anjo Branco (Dida Fialho e Gilberto Nascimento) vencedora da Primeira Coletiva de Música da Paraíba.
    Era o começo de um novo tempo. Era o fim de uma grande empreitada do produtor cultural Eduardo Stuckert, mas foi, acima de tudo, um réquiem com sabor de vitória. O espetáculo aconteceu, o circo foi levantado, foi derrubado, voltou a ser levantado e provou que a cultura é permanente, apesar da crise!
  • O HERDEIRO DE AVÔHAI

    26/03/2016 - 09:24

    Zé Ramalho e o réquiem para o circo 

    O fim de um circo e o início de uma grande carreira. Assim pode ser descrita a relação do cantor Zé Ramalho com o “Réquiem  para o Circo”. Logo após o grande show do “Réquiem” no Teatro Santa Roza, em João Pessoa, o produtor cultural paraibano Eduardo Stuckert seguiu  para o Rio de Janeiro, onde já se encontravam o compositor Zé Ramalho e o  produtor Onaldo Mendes, que produzia o primeiro Show Musical de Zé Ramalho – no Rio de Janeiro – intitulado “Sopa de Morcegos na Boca  do Rock”, com participação especial de Geraldo Azevedo, Bruce Henry e de Zezé Mota, no Teatro Opinião.
    Um segundo e inesquecível momento na carreira de Zé Ramalho foi justamente o memorável show realizado no Parque Lage (Jardim Botânico), no Rio. Na verdade, o show foi uma espécie de prolongamento do “Réquiem” realizado em João Pessoa. Capitaneado por Onaldo Mendes e Eduardo Stuckert, o evento teve a distribuição da Revista “Made in PB” contendo a história do “Réquiem para o Circo”, com crônicas de Adalberto Barreto (Não Tem Mais Espetáculo), Carlos Aranha (Nossa Vida de Circular Espetáculos), Zé Ramalho (Contudo não sou eu quem vai desvendar os segredos do Ingá) e Bento da Gama (A Bailarina Andrógena), entre outros, e um disco compacto com as músicas lançadas no “Réquiem”.
    Na sequencia, o grande show no teatro João Caetano com participações de: Zé Ramalho, Jackson do Pandeiro, Fagner e Moraes Moreira. Daí, diante dos acontecimentos, a cantora Vanusa gravou o Avôhai e logo em seguida o Zé gravou seu primeiro disco solo, "Zé Ramalho", que contém a maioria das obras primas do cantor. A partir daí estava lançada a carreira nacional do cantor paraibano Zé Ramalho.